FGTS em atraso afeta 11 milhões de trabalhadores com dívida de R$ 12,6 bilhões
FGTS atrasado afeta 11 milhões de trabalhadores com dívida de R$ 12,6 bilhões. Entenda os impactos.
Mais de 11 milhões de trabalhadores brasileiros enfrentam problemas com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com depósitos em atraso até junho deste ano. A dívida acumulada das empresas com o fundo alcançou R$ 12,6 bilhões, um cenário preocupante que pode impactar financeiramente os empregados, especialmente em momentos críticos.
Os dados revelam um aumento significativo em relação a setembro do ano passado, quando cerca de 9,5 milhões de trabalhadores estavam na mesma situação, com uma dívida total de R$ 10 bilhões. O FGTS é um direito garantido a todos os trabalhadores com carteira assinada, que devem receber mensalmente o equivalente a 8% de seu salário bruto em uma conta vinculada.
O problema frequentemente só é identificado quando o trabalhador tenta acessar o benefício, situação comum em casos de demissão sem justa causa, aposentadoria, financiamento habitacional, doenças graves ou calamidades públicas. Especialistas alertam que a falta de depósitos regulares pode reduzir consideravelmente o montante disponível para saque, prejudicando o trabalhador em momentos de necessidade.
A advogada trabalhista Silvia Correia recomenda que os trabalhadores monitorem frequentemente suas contas vinculadas por meio do aplicativo do FGTS. "Esse aplicativo permite que o trabalhador acompanhe os depósitos e não seja surpreendido ao tentar sacar valores menores do que lhe são devidos", explica.
Ao identificar a ausência de depósitos, o trabalhador deve procurar o Ministério do Trabalho para formalizar uma denúncia, podendo fazê-lo presencialmente ou por canais digitais. As empresas que não realizam os depósitos estão sujeitas a penalidades, incluindo a impossibilidade de obter o Certificado de Regularidade do FGTS, essencial para participar de licitações públicas e contratar linhas de crédito.
Desde março do ano passado, as ações da Auditoria Fiscal do Trabalho resultaram na recuperação de aproximadamente R$ 6,2 bilhões em valores que deveriam ter sido depositados no FGTS. Apesar dessa recuperação, o aumento no número de trabalhadores afetados e no volume da dívida acende um alerta sobre a necessidade de maior fiscalização e a importância de os empregados monitorarem regularmente seus extratos.
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