Embrapa contabiliza prejuízo superior a R$ 1 milhão após incêndio e inicia recuperação​‌​

Embrapa calcula prejuízo superior a R$ 1 milhão após incêndio e inicia recuperação da área devastada em Teresina.

Embrapa contabiliza prejuízo superior a R$ 1 milhão após incêndio e inicia recuperação​‌​

Uma semana após um incêndio de grandes proporções atingir a Embrapa Meio-Norte, localizada na zona Norte de Teresina, a instituição se concentra na recuperação da área devastada e na avaliação dos prejuízos. O valor estimado dos danos à infraestrutura já ultrapassa R$ 1 milhão, enquanto as perdas relacionadas às pesquisas e ao meio ambiente ainda estão sendo analisadas.

O incêndio consumiu cerca de 61 hectares da propriedade, afetando campos experimentais que abrigavam espécies típicas da região, como cajá, bacuri, caju, mangaba, manga rosa e xixá.

Estado de alerta e ações imediatas

Segundo Anísio Lima, chefe-geral da Embrapa Meio-Norte, a situação está sob controle, mas a instituição permanece em estado de alerta. O último foco de incêndio foi extinto na sexta-feira (09), quatro dias após o incêndio principal.

“Estamos há quatro dias sem fogo e agora a equipe está se debruçando na monetização dos danos, dos impactos, para buscarmos soluções a várias mãos”, afirmou Lima.

Ele destacou a importância de um trabalho conjunto envolvendo órgãos públicos e a comunidade para evitar novas ocorrências, enfatizando a necessidade de um ordenamento administrativo complexo.

Impactos nas pesquisas científicas

Além dos danos materiais, a Embrapa expressa preocupação com os experimentos científicos que foram comprometidos pelo incêndio. A unidade é responsável por pesquisas voltadas ao melhoramento genético de espécies frutíferas e árvores nativas, com o objetivo de desenvolver plantas mais resistentes e adaptadas às condições climáticas locais.

“O nosso prejuízo passa de um milhão de reais em infraestrutura. Contudo, os danos à pesquisa são muito superiores, pois envolvem trabalhos de décadas”, ressaltou Anísio Lima.

Ainda não é possível determinar quantas plantas foram perdidas definitivamente, pois a avaliação depende do início do período chuvoso, quando será possível verificar quais espécies conseguirão se regenerar.

Recuperação a longo prazo

O biólogo e ambientalista Ribamar Rocha alertou que os impactos ambientais de um incêndio dessa magnitude são duradouros, afetando não apenas a vegetação, mas também a fauna local. Ele explicou que o solo, ao ficar exposto, compromete sua fertilidade, e a recuperação da vegetação de maior porte é um processo lento.

“A primeira vegetação a retornar será a rasteira, em torno de dois anos. A vegetação lenhosa levará cerca de oito anos para se restabelecer, e a recuperação completa dos ecossistemas pode levar até 14 anos”, afirmou Rocha.

Prevenção e conscientização

A suspeita inicial é de que o incêndio tenha se originado de uma queima de lixo em uma área próxima ao muro que separa a Embrapa de bairros da região. Em resposta, a instituição planeja intensificar ações de conscientização com os moradores vizinhos e buscar apoio de órgãos públicos para evitar novas ocorrências.

O incêndio na Embrapa é um lembrete da importância da preservação ambiental e da colaboração entre a comunidade e as instituições para proteger os recursos naturais.

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