Avanços nas vacinas contra chikungunya no Brasil
Novas vacinas contra chikungunya avançam no Brasil, com iniciativas do Butantan e Eurofarma.
A chikungunya, uma arbovirose que se tornou comum no Brasil desde sua confirmação em 2014, continua a ser uma preocupação para as autoridades de saúde. O vírus, transmitido por mosquitos do gênero Aedes, tem levado a esforços significativos para o desenvolvimento de vacinas eficazes.
Recentemente, as expectativas aumentaram com a apresentação de novos imunizantes. Em junho, a farmacêutica Eurofarma solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a análise da vacina “CHIKV VLP”, já aprovada em países como Estados Unidos e Reino Unido. Este imunizante, que é aplicado em dose única, utiliza partículas que imitam o vírus da chikungunya, conhecidas pela sigla VLP.
Produção da Butantan-CHIK
Em maio, a Anvisa autorizou o Instituto Butantan a iniciar a produção da Butantan-CHIK, desenvolvida em parceria com a farmacêutica Valneva. Essa vacina, que utiliza vírus vivo atenuado, é destinada a pessoas de 18 a 59 anos com maior risco de exposição.
Embora a chikungunya não tenha alta taxa de mortalidade, suas consequências podem ser debilitantes, causando dores articulares persistentes. O infectologista Luís Fernando Aranha Camargo, do Einstein Hospital Israelita, destaca que a vacinação é uma estratégia crucial de saúde pública, dada a gravidade dos sintomas que podem afetar a qualidade de vida dos pacientes.
Dados sobre a chikungunya no Brasil
Em 2025, foram notificados 129.123 casos prováveis de chikungunya no Brasil, com 107.975 confirmações e 121 mortes, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A entidade observou um aumento contínuo de casos em várias regiões das Américas, incluindo áreas que não viam circulação do vírus há anos.
Atualmente, a imunização está em fase de teste em um projeto-piloto, conduzido pelo Instituto Butantan em parceria com o Ministério da Saúde. Essa iniciativa abrange municípios em Alagoas, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Sergipe e São Paulo, com cerca de 48 mil doses já aplicadas.
Características das vacinas
A vacina CHIKV VLP é projetada para reproduzir a estrutura externa do vírus, sem carregar seu material genético, o que a torna segura, especialmente para grupos vulneráveis. O pediatra infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), ressalta que vacinas com vírus vivo podem apresentar riscos para idosos e imunocomprometidos.
A Butantan-CHIK, por sua vez, compartilha princípios e processos de fabricação com a Ixchiq, a primeira vacina contra chikungunya aprovada no mundo. Isso significa que os dados de segurança e resposta imunológica da Ixchiq também são relevantes para a versão brasileira.
Outras iniciativas de pesquisa
Além das vacinas já em desenvolvimento, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Bonn, na Alemanha, estão explorando uma terceira estratégia. Esta candidata ainda está na fase pré-clínica, com testes realizados em camundongos. O objetivo é criar uma vacina que provoque uma resposta imunológica similar, mas com menor risco de replicação do vírus.
Os resultados preliminares mostraram que todos os camundongos vacinados sobreviveram após a exposição ao vírus selvagem, enquanto os do grupo controle não tiveram a mesma sorte. Apesar dos avanços, a redução da chikungunya no Brasil dependerá de uma combinação de vacinação e controle do mosquito Aedes aegypti.
O infectologista do Einstein destaca que, para um controle efetivo da doença, é essencial eliminar o vetor, visto que nenhuma vacina é 100% eficaz. “Diminuir a chikungunya a níveis mínimos é um grande avanço”, conclui.
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