Carnaval de Altos: mais de sete décadas de tradição e cultura
O carnaval faz parte da alma do povo altoense. Ao longo dos anos, a festa mudou de formato, ganhou novos personagens, atravessou gerações, mas nunca deixou de existir. A tradição, passada de pais para filhos, mantém viva uma das manifestações culturais mais fortes do município.
1937: o primeiro registro da folia
A mais antiga referência ao carnaval em Altos data de 1937. Foi nesse período que o mestre Paulistano reuniu amigos, organizou o primeiro bloco carnavalesco da cidade e passou a comandar a animação. Sob sua liderança, a folia ganhou estrutura e motivou o surgimento de novos grupos nos anos seguintes.
Anos 40: novas lideranças e o Bloco dos Operários
Com o crescimento do movimento, outros foliões começaram a se destacar e a festa tomou proporções maiores. Entre os grupos que surgiram, o que mais ganhou notoriedade foi o Bloco dos Operários, formado por trabalhadores como carpinteiros, pedreiros e servidores públicos, que encontravam no carnaval um momento de confraternização e alegria.
Anos 50 e 60: a festa ganha novos formatos
Na década de 50, a tradição de desfilar pelas ruas começou a mudar. A folia passou a se concentrar em pontos específicos, como a Prefeitura e casas de famílias conhecidas. A animação ficava por conta do sanfoneiro Libório e de músicos locais, que garantiam o ritmo da festa.
Já nos anos 60, a criatividade também apareceu nos nomes dos blocos. Um dos mais lembrados foi o “Casaco também é gente”, idealizado por Edmundo Chaves do Nascimento e seus companheiros.
Anos 70: nasce um símbolo
Em 1973, um fato curioso chamou a atenção da população: Valber Lacerda, conhecido como “Feinho”, saiu sozinho pelas ruas vestido de mulher. A ousadia inspirou outros foliões e, no ano seguinte, surgia o tradicional Bloco das Virgens, que se tornaria uma das marcas registradas do carnaval altoense.
Com o passar do tempo, o bloco cresceu, ganhou organização e, em 1988, passou a eleger oficialmente Rei Momo e Rainha.
Do passado ao presente
As décadas seguintes trouxeram bailes em clubes, danceterias, abadás, paredões e novos formatos de brincar. Mesmo com tantas transformações, o espírito permanece o mesmo: reunir pessoas, celebrar e fortalecer a cultura local.
O carnaval de Altos prova que a tradição resiste ao tempo e continua sendo motivo de orgulho para a cidade.
???? Créditos ao historiador Carlos Dias.
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